Legislação brasileira e aumento da conscientização do segurado impulsionam proteções ambientais
Por Camila Alcova
Mais do que um negócio embasado nos conceitos e responsabilidades do setor de seguros, as proteções ambientais são vistas também como aliadas da indústria para a conscientização de seus segurados quando se trata de preservação ao meio ambiente.
O especialista em subscrição de riscos ambientais da Itaú Seguros, Marco Antônio Ferreira (foto), acredita que o segmento de proteção ambiental tem forte potencial de crescimento para os próximos anos. Por conta disso, o grupo tem investido em técnicas para reformular o seguro de responsabilidade civil ambiental, comercializado desde 2004.
O executivo atribui o potencial do mercado ao fato de a legislação brasileira estar mais atenta a essa proteção securitária. "Hoje, temos por exemplo, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que utiliza o seguro ambiental como um dos instrumentos de sua política".
Ele acrescenta que o conglomerado Itaú tem observado o investimento de práticas sustentáveis em clientes de todos os ramos de atividades, o que justifica o investimento na carteira, e a busca por produtos reformulados e mais modernos, de maneira que colabore para a conscientização do segurado quanto à exposição de riscos.
O formato adotado pela seguradora auxilia também possíveis segurados que não despertaram para a importância do gerenciamento dos riscos ambientais. "A partir do momento que identificamos que ele não tem ainda um sistema de gestão ambiental, que não consegue gerenciar de forma adequada seus riscos, atuamos no apoio e suporte técnico",
explica Ferreira.
Paulo Vasconcellos, superintendente de subscrição da Itaú, acredita que os consumidores também estão sendo cada vez mais estimulados a aderirem a boas práticas ambientais. Em sua opinião, a ausência dessa governança, inclusive, impacta a receptividade entre os mercados.
"Nesse sentido, há uma demanda no Brasil bastante interessante para que cada vez mais nossos clientes se conscientizem da necessidade da proteção ambiental".
Experiência internacional
"Nos últimos três anos, o Brasil entrou definitivamente na rota de nossos programas e soluções, pois já possuímos um portfólio de clientes locais e parcerias regionais, visando o lançamento de novos produtos e serviços", explica o gerente de Responsabilidade Civil e Ambiental da Chartis, Marcio Guerreiro (foto). A seguradora trouxe a experiência em seguro ambiental do exterior para o Brasil em 2004.
Para que o segurado enxergue a necessidade da proteção, a seguradora investe na divulgação do seguro.
Em relação às vantagens para quem adere à proteção, o executivo destaca a tranquilidade das coberturas e serviços em um possível sinistro, e sua utilização como uma ferramenta de gestão de riscos ambientais.
O subscritor sênior de riscos ambientais da ACE, Bruno Temponi, pontua como fatores que colaboram para o segurado enxergar a importância do seguro ambiental as exigências contratuais para contratação do seguro e cláusulas do contrato que transfiram as responsabilidades ambientais; exigência de contratação da apólice por agentes financiadores e investidores, já que estes também podem ser responsabilizados por possíveis prejuízos de poluição; e a proteção ao patrimônio, garantia de continuidade de negócios em caso de poluições.
Outros fatores mencionados são a vantagem econômica associada à imagem da empresa, por decorrência da contratação do seguro, e o aumento da pressão por parte de órgãos públicos e sociedade, em se tratando de questões ambientais.
De acordo com Temponi, a apólice comercializada pela seguradora desde 2011 oferece cobertura para perdas e danos materiais, corporais e morais, além de cobrir prejuízos a recursos naturais em caso de poluição.
"As coberturas se estendem às compensações ambientais, lucros cessantes de terceiros, custos de restauração de bens móveis e imóveis, tanques subterrâneos de armazenagem, transporte contingente, locais de descarte de resíduos, custas judiciais, honorários advocatícios e periciais na defesa do segurado", acrescenta.
Segundo o executivo, a companhia também enfatiza aos corretores, para o momento da venda, o princípio de legislação ambiental brasileira, que obriga todo aquele que polui a arcar com os custos de reparação dos danos causados.
Investimentos no ambiental
A ACE tem investido em inspeções e gerenciamento de riscos, para proporcionar melhoria de controles, processos e procedimentos, e na capacidade de elaboração de programas mundiais de seguros controlados no Brasil para empresas que possuem filiais em outros países.
"A empresa também está promovendo a venda das coberturas de riscos ambientais em pacotes conjuntos com outras linhas de seguros, como RC Geral e RC obras", comenta Temponi (foto).
A Chartis também investe em sua prestação de serviço e promove a discussão de temas relacionados à melhoria dos riscos, implantação de planos de contingência e emergência. "O desenvolvimento de um plano de gerenciamento de risco é o nosso foco principal, bem como podemos atuar como consultores nos planos já existentes", explica Marcio Guerreiro. Ele frisa que a prestação de serviços visa também o mapeamento de riscos ambientais.
O executivo observa uma visão positiva do segurado em relação ao seguro ambiental. “Os segurados demonstram muito interesse e, usualmente, as reuniões são acompanhadas por equipes multidisciplinares e os debates são intensos, motivados pela nossa explanação de que o seguro ambiental é uma das ferramentas de gestão dos riscos ambientais, tanto para eventos desconhecidos, como para conhecidos”.
Conforme Marco Antônio Ferreira, a Itaú trabalha para alinhar o contrato de seguro de RC Ambiental aos termos e especificações legais contidas na Lei Ambiental. Dessa maneira, as definições contidas nas apólices refletirão os termos da lei.
As implementações deverão ser colocadas em prática em julho.
Ferreira acredita que esse modelo colaborará para uma maior transparência, agilidade nas negociações com áreas jurídicas dos clientes, e eliminará dúvidas sobre as expressões, especialmente no momento de uma regulação de sinistros. “Havendo um clausulado mais prático, a regulação será mais rápida”. Ele frisa a importância da rapidez em uma regulação de risco ambiental, para que os danos não aumentem.
Paulo Vasconcellos explica que a preocupação central do conglomerado não é acumular volume de prêmios, mas sim, investir em produtos que amparem as necessidades dos clientes. Outro fator de atenção na empresa é sobre a possível exposição negativa que o seguro ambiental pode gerar.
“Disponibilizamos o produto para clientes que entendemos que estão aderentes a questão ambiental, pois às vezes, gera a impressão de que o produto pode trazer facilidades para quem não está com a consciência voltada para a necessidade de preservação do meio ambiente”.
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